História da Terapia Manual

Milena Dutra

A Controvérsia do Século XIX

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Mix de imagens de pessoas recebendo massagem e específicas técnicas de terapia manual

O século XIX foi um período de tumulto e controvérsia na prática médica. A história médica da época está repleta de sistemas não-ortodoxos Histórico da Medicina Manipulativa

A medicina manual é tão antiga quanto a ciência e a arte da medicina propriamente dita. Há fortes indícios de que o uso dos procedimentos da medicina manual na Tailândia antiga, como mostram esculturas de pelo menos 4000 anos. O uso das mãos no tratamento de traumatismos e doenças foi praticado pêlos egípcios antigos. Sabe-se que até mesmo Hipócrates, pai da medicina moderna, usou procedimentos da medicina manual, particularmente técnicas de tração e alavancagem, no tratamento de deformidades da coluna vertebral. Os escritos de figuras históricas notáveis como Galeno, Celisies e Oribásio referem-se ao uso de procedimentos manipulativos. Há uma lacuna no relato do uso dos procedimentos da medicina manual correspondente ao tempo aproximado da divisão entre médicos e cirurgiões-barbeiros. A partir do momento que os médicos passaram a ter menos contato com o paciente e que os cuidados diretos práticos com o paciente foram se tornando campo dos cirurgiões-barbeiros, o papel da medicina manual na arte da cura parece ter entrado em declínio. Esse período também representa o tempo das epidemias e talvez os médicos se mostrassem reticentes em entrar em contato pessoal próximo com seus pacientes.

No século XIX, observou-se um renascimento do interesse por esse campo. No  início desse  século, o Doutor Edward Harrison, graduado em 1784 pela Edinburgh University, desenvolveu respeitável reputação em Londres utilizando procedimentos da medicina manual. Como muitos outros proponentes da medicina manual no século XIX, ele acabou por alienar-se de seus colegas ao persistir no uso de tais procedimentos.

Os “Endireitadores de Ossos” (Bonesetters)

O século XIX foi um período de grande popularidade para os “endireitadores de ossos” (bonesetters), tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos. O trabalho de  Hutton,  um habilidoso e famoso bonesetter, levou médicos eminentes como James Paget e Wharton Hood a relatarem em publicações médicas de prestígio, como o Rritish cal Journal e The Lancet, que a comunidade médica devia prestar atenção ao sucesso dos clínicos não-ortodo-xos de banesetting. Nos Estados Unidos, a família Sweet praticou o bonesetting com maestria na região da Nova Inglaterra de Rhode Island e Connecticut. Há relatos tam­bém de que os descendentes da família Sweet emigra­ram para o oeste na metade do século XIX. Sir Herbert Barker foi um renomado bonesetter inglês que trabalhou até o primeiro quarto do século XX e sua distinção foi tal que chegou a ser nomeado cavaleiro da coroa.de cura.

Dois indivíduos que iriam influenciar profundamente o campo da medicina manual surgiram nesse período de agitação médica. Andrew Taylor Still, M.D., foi um médico treinado dentro dos moldes de treinamento por preceptores em vigor naquela época e D.D. Palmer foi um dono de mercearia que se tornou médico de manipulação autodidata.

3 Comentário(s)! Comente mais!

  1. André Nessi

    Olá Profa. Milena,

    gostei do texto sobre “História da Terapia Manual”, realmente cria uma luz sobre esta técnica maravilhosa utilizada no século XIX e nos dias de hoje. Certamente fica registrado sua contribuição para a área que gostamos tanto, Atividade Física Adaptada.
    Aproveito para desejar muito sucesso e certo, mais artigos para nosso crescimento, nós que prestigiamos este Blog.

    André Nessi

    Postado em 06/07/2009
  2. Milena Dutra

    Caro Prof. André Nessi,
    Muito obrigada.
    Agradeço a gentileza de me aceitar em suas aulas. Foi um período de muita valia, pena que curto. Seus conhecimentos tornaram ainda mais ricos à minha pessoa e somaram à minha experiência.

    Postado em 06/07/2009
  3. Olá Profa. Milena,

    Primeiramente lhe parabenizo pelo artigo postado que esta muito bem elaborado e escrito. E congratulações pelo tema abordado, principalmente relacionando o tema com a cronologia, desde tempos remotos até o contemporâneo.

    Stefan Bovolon - Carcinologia, MZUSP.

    Postado em 22/07/2009

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