Clóvis Sousa
A intolerância ao exercício físico é manifestação comum em pacientes
com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Anteriormente esta intolerância era atribuída exclusivamente ao distúrbio
respiratório que esses indivíduos apresentam, no entanto,
recentemente se tem verificado que a disfunção muscular esquelética
periférica é fator importante para a diminuição da capacidade
para realizar exercícios nesses doentes.

DPOC com disfunção muscular esquelética
Como dissemos no Post anterior, há atualmente, grande número de terapias úteis no processo de reabilitação de indivíduos com DPOC: oxigenoterapia, tratamentos cirúrgicos, educação em saúde, aconselhamento nutricional, exercícios resistivos para musculatura respiratória, suplementação de esteróides anabolizantes, a suplementação de creatina e a estimulação elétrica neuromuscular (EENM). Contudo, há evidências de que o exercício físico é a conduta mais efetiva na reabilitação pulmonar. Lembrando que a Reabilitação Pulmonar envolve 4 componentes e não somente o exercício físico, além do exercício físico, envolve tratamento medicamentoso, treinamento da musculatura ventilatória, e programa educacional e intervenções psicossociais e comportamentais.
Há algum tempo o condicionamento físico vem sendo parte obrigatória no tratamento de portadores de DPOC. Estes pacientes apresentam intolerância ao exercício de intensidade variável e relacionada à disfunção muscular esquelética. Neste sentido, o exercício físico apresenta-se como ramo mais importante no processo de reabilitação pulmonar. O exercício aeróbio e o treino de força com pesos são fundamentais no incremento de capacidade física e qualidade de vida, principalmente naqueles indivíduos que apresentam as formas moderada ou grave da DPOC.
Os objetivos do exercício físico para o DPOC envolvem:
- Maximizar a terapia medicamentosa;
- Educação do paciente;
- Modificar o estilo de vida;
- Melhorar a força muscular e a resistência cardiovascular (aumentar a capacidade respiratória);
- Diminuir a falta de ar e as crises.
Até a próxima quando falaremos sobre programas/tipos de exercício físico e seus efeitos no DPOC
Até lá!
Referências
American Thoracic Society-European Respiratory Society. Skeletal muscle dysfunction in chronic obstructive pulmonary disease. Am J Respir Crit Care Med 1999;159:S1-28.
Cooper CB. Exercise in chronic obstructive pulmonary disease: limitations and rehabilitation. Med Sci Sports Exerc 2001;33:S643-6.
Debigaré R, Côté CH, Maltais F. Peripheral muscle wasting in chronic obstructive pulmonary disease – Clinical relevance and mechanisms. Am J Respir Crit Care Med 2001;164:1712-7.
Gosselink R, Troosters T, Decramer M. Distribution of muscle weakness in patients with stable chronic obstructive pulmonary disease. J Cardiopulm Rehabil 2000;20:353-60.
Spruit MA, Gosselink R, Troosters T, De Paepe K, Decramer M. Resistance versus endurance training in patients with COPD and peripheral muscle weakness. Eur Respir J 2002;19:1072-8.


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