Artrite Reumatóide e Exercícios

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Margarida Castro Leal

Educação Física Adaptada II

Desporto e Bem-Estar – 3ª Ano / 5º Semestre

Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria

Intercâmbio na Universidade de São Paulo – Brasil

Definição

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Mãos com artrite reumatóide nas articulações

A “Artrite Reumatóide (AR) é uma forma comum de artrite (art representa articulação e ite representa inflamação) que causa inflamação no revestimento das articulações (membrana sinovial) e manifesta-se por calor, inchaço e dor. A AR tende a persistir por muitos anos, tipicamente afecta várias articulações, ossos, tendões e ligamentos das articulações” (Arthritis Foundation, 2000).

«A inflamação afecta a cartilagem, corrói o osso e destrói a articulação, daí que, quando não se consegue parar a inflamação, possam surgir deformações» refere o Dr. António Vilar, presidente da Direcção do Instituto Português de Reumatologia.

“O termo artrite reumatóide foi introduzido por Sir Alfred Garrod em 1859 para descrever uma doença crónica inflamatória das articulações periféricas e que se distingue de todas as restantes formas de reumatismo. É actualmente definida por uma alteração sistémica crónica inflamatória recorrente envolvendo inicialmente as pequenas articulações das mãos e pés com artrite periférica simétrica inflamatória não supurativa e que progride de um modo centrípeto e simétrico, com exacerbações e remissões devidas a crises de agudez” (Revista homeopática.com. nº6).

” A característica básica da AR ou Doença Reumatóide, assim como uma boa parte das afecções reumáticas, é a presença do quadro inflamatório crónico. O processo inflamatório crónico induz alterações na composição celular e no perfil de expressão genética da sinóvia, resultando em proliferação dos fibroblastos sinoviais e dano estrutural na cartilagem, osso e ligamentos. Trata-se de uma doença sistémica, de etiologia indefinida, evidenciada por uma sinovite poliarticular persistente, de distribuição simétrica e com grande potencial deformante ( Silveira,Dahyan,2006).

Causas:

É importante saber as causas da doença e nesta medida é necessário que o diagnostico seja precoce, iniciar rapidamente o tratamento, quando necessário, pelas drogas modificadoras da doença (DMCDs) e o controle rigoroso da actividade inflamatória.

Embora ainda não seja conhecida a causa da AR, sabe-se que o sistema imunológico do corpo exerce um papel importante na inflamação e nos danos da articulação que ocorrem na AR. Na AR, o sistema imunológico não funciona devidamente e pode agredir as próprias articulações.

” Na AR, células do sistema imunológico transferem da corrente sanguínea, invadindo os tecidos das articulações e causando inflamação. O líquido sinovial contendo células inflamatórias acumula-se na articulação. As células imunológicas e inflamatórias no tecido e no fluido da articulação produzem muitas substâncias, incluindo enzimas, anticorpos e outras moléculas (citoquinas), que invadem a articulação e podem causar danos na mesma” (Arthritis Foundation, 2000).

Existe uma predisposição genética e alguns genes foram identificados. A persistência dos estímulos ou a incapacidade do sistema imune em controlar a inflamação levam à doença crónica. A membrana sinovial prolifera e liberta enzimas produzidas por células. Tanto a invasão da membrana sinovial como a acção das enzimas provocam destruição das estruturas articulares (cartilagem e ossos vizinhos) e junta-articulares (tendões e ligamentos).

A artrite reumatóide é uma doença de origem auto-imune, caracteriza-se por uma inflamação crónica da membrana sinovial, um pequeno saco localizado na face profunda das superfícies articulares. Tem o poder de produzir lesão irreversível da cápsula e da cartilagem articular, visto que estas estruturas são substituídas por tecido de granulação. Embora considerações estatísticas sugiram uma influência hereditária, estudos genéticos criteriosos em grupos populacionais seleccionados e em gémeos idênticos indicaram claramente que a hereditariedade não é um factor dominante na artrite reumatóide.

A AR afecta 1 a 3% da população, e muitas vezes começa entre os 30 e os 50 anos de idade. As mulheres têm uma probabilidade três vezes maior de sofrerem de AR do que os homens.

Sintomas:

A dor nas articulações acometidas varia consideravelmente e nem sempre é proporcional ao grau da tumefacção. A dor em repouso, não aliviada por analgésicos e pelo calor, é bastante incomum, excepto quando há grave inflamação aguda. A dor ao movimento é mais persistente e é notada particularmente com movimentos de torção das mãos e dos punhos, assim como nos pés e nos joelhos ao suportar peso. A rigidez é talvez o sintoma mais constante. Caracteristicamente, o paciente com artrite reumatóide sente-se pior ao levantar-se pela manhã, e necessita de um período de meia hora a várias horas para se “tornar mais ágil”. Estes pacientes melhoram geralmente, no final da manhã ou no início da tarde.

Podem ocorrer episódios adicionais de rigidez e dor após períodos de repouso durante o dia, ou acompanhados de fadiga à tarde ou ao anoitecer. São frequentes os episódios de dor e hipersensibilidade muscular, particularmente em torno do pescoço e dos ombros. Os sintomas constitucionais variam muito de intensidade. A fadiga e certo grau de perda de peso são muito comuns, estão frequentemente associados à indisposição ou fraqueza real. A febre é usualmente de baixa intensidade mas, foram bem documentados casos de elevação diária persistente da temperatura de 38,8 a 40,0ºC, sem explicação razoável. Por outro lado, pode não haver elevação de temperatura.

Exercícios e Artrite Reumatóide

Inicialmente, a comunidade médica pensou que seria melhor, para os doentes com AR, não praticarem actividade física para se protegerem dos danos articulares. Agora, é pacífico entre médicos e terapeutas que os exercícios em doentes com AR, desde que devidamente prescrita podem melhorar/diminuir a sensação de fadiga, fortalecer os músculos e ossos, aumentar a flexibilidade e melhorar o bem-estar em geral.

Quando uma articulação está quente, dorida e inchada poderá ser benéfico fazer uns alongamentos para poder manter o movimento articular.

Três tipos de exercícios são os melhores para pessoas com artrite:

  • Exercícios de extensão de movimento (por exemplo dança) ajudam a manter a movimentação normal das articulações e aliviar a rigidez. Esse tipo de exercício ajudam a manter ou elevar a flexibilidade;
  • Exercícios de força (por exemplo musculação) ajudam a manter ou aumentar a força muscular. Os músculos fortes ajudam a dar apoio e proteger as articulações afectadas pela artrite;
  • Exercícios aeróbicos ou de resistência (por exemplo andar de bicicleta) elevam o condicionamento cardiovascular, auxiliam no controle de peso e melhoram as funções gerais. O controlo de peso pode ser importante para pessoas que têm artrite devido à pressão a mais do peso extra em várias articulações. Alguns estudos mostram que o exercício aeróbico pode reduzir a inflamação em algumas articulações.

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