Artrite Reumatóide e Reabilitação Aquática

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Educação Física Adaptada II

Desporto e Bem-Estar – 3ª Ano / 5º Semestre

Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria

Intercâmbio na Universidade de São Paulo – Brasil

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Mãos com artrite

Margarida Castro Leal


A utilização da água para fins terapêuticos na reabilitação teve vários conceitos ao longo dos tempos. Actualmente o termo mais utilizado é reabilitação aquática ou hidroterapia (do grego “hydor”, “hydatos” = água/”therapeia” = tratamento).

A hidroterapia é uma modalidade que utiliza a água como meio terapêutico há vários milénios. É o recurso à água aproveitando ao máximo as suas qualidades únicas, combinadas com os benefícios do exercício físico específico, que vão desde a simples marcha na água até a exercícios mais elaborados para as diversas partes do corpo, com objectivos precisos e diferenciados. A hidroterapia conduz a uma melhoria na saúde e bem-estar físico e mental, sendo destinada a todas as pessoas. Os efeitos terapêuticos da hidroterapia centram-se no alívio da dor, aumento da amplitude dos movimentos das articulações, da tolerância aos exercícios, no fortalecimento dos músculos, na optimização da circulação vascular, na capacidade respiratória e funcional, na melhoria do equilíbrio, na coordenação e postura, no alívio da tensão e do stress e na recuperação de diferentes lesões e patologias.

A hidroterapia é um recurso fitoterapêutico que tem sido cada vez mais utilizado na área médica visando uma recuperação mais acelerada dos pacientes. Os exercícios são personalizados para cada doente para acelerar e facilitar a reabilitação. Debruça-se sobre disfunções ortopédicas, vasculares, respiratórias, traumatológicas, pós-cirúrgicas, entre outras.

A hidroterapia é a utilização dos efeitos físicos, fisiológicos e cinesiologicos, advindos da imersão do corpo, ou parte deste, em meio aquático, como recurso auxiliar na reeducação funcional neuromotora, músculo-esquelética ou cardiorespiratória, visando cura, manutenção ou ainda prevenção de uma alteração funcional orgânica.

Os benefícios dos exercícios em água quente têm efeitos a nível fisiológico, terapêutico e psicológico.

Os benefícios fisiológicos a “termorregulação, no calor é uma forma de energia e, quando outras formas de energia são convertidas em calor existe uma relação constante entre o calor produzido e a energia perdida” (Morouço, 2008. In Skinner & thomson, 1985).

“A força de impulsão “alivia” o peso e, por conseguinte, a pressão no sistema osteoarticular, causando menos lesões” (Morouço, 2008. In tarpinian & Awbrey, 1997).

A água auxilia na manutenção da integridade articular, o sangue retorna ao coração com maior facilidade.

A pressão hidrostática é um dos principais motivos para a redução da frequência cardíaca no meio aquático. Reforça a musculatura envolvida na respiração e é utilizada para a redução de edemas.

As componentes de uma aula de hidroterapia devem respeitar os seguintes passos:

– Aquecimento;

– Alongamento;

– Força e resistência muscular;

– Relaxamento.

Existem métodos utilizados na hidroterapia tais como:

Método Halliwick – Foi desenvolvido em 1949, inicialmente era uma actividade recreativa que visava dar independência individual na água, para pacientes com incapacidade e treiná-los a nadar. Com o passar dos anos, o método foi aperfeiçoado adoptando técnicas adicionais.

– Método Bad Ragaz – teve o seu inicio em 1930, na cidade Suíça, cujo objectivo era promover a estabilização do tronco e das extremidades através de padrões de movimento básicos e, se resistidos, realizados segundo os planos anatómicos. Actualmente, este método é constituído de técnicas de movimentos com padrões em planos anatómicos e diagonais, com resistência e estabilização fornecidos pelo terapeuta. O posicionamento do paciente em decúbito dorsal é mantido através de flutuadores nos seguimentos anatómicos. A técnica pode ser utilizada passiva ou activamente em pacientes ortopédicos, reumáticos ou neurológicos. Os objectivos terapêuticos incluem redução de tônus muscular, pré-treinamento de marcha, estabilização de tronco, fortalecimento muscular e melhora da amplitude articular.

– Método Watsu – Foi criado em 1980. Tal técnica aplica os alongamentos e movimentos do shiatsu zen na água, incluindo alongamentos passivos, mobilização de articulações e “hara-trabalho”, bem como pressão sobre “tubos” (acupontos) para equilibrar fluxos de energia através dos meridianos (caminhos de energia). Há dois tipos de posições no watsu: as posições simples e as complexas. As simples incluem os movimentos básicos e de livre flutuação. As posições complexas são chamadas berços. O fluxo de transição do watsu consiste numa abertura, os movimentos básicos e três sessões: 1ª) berço de cabeça; 2ª) em baixo da perna distante, ombro e quadril; 3ª) berço da perna próxima e uma conclusão.

– A hidrocinesioterapia – Constitui um conjunto de técnicas terapêuticas fundamentadas no movimento humano. É a fisioterapia na água ou a prática de exercícios terapêuticos em piscinas, associada ou não aos manuseio, manipulações, hidromassagem e massoterapia, configurada em programas de tratamento específicos para cada paciente. Um programa de hidrocinesioterapia adequado a cada paciente pode representar um grande incremento no seu tratamento, obtendo-se os efeitos de melhora em tempo abreviado e com menor risco de intercorrências, tais como dor muscular tardia e microlesões articulares decorrentes do impacto. Uma avaliação criteriosa do paciente é realizada, acrescida de informações sobre a sua experiência com a água, imersão e domínio ou não de nados. O exame físico, a análise dos exames complementares e a avaliação dos movimentos funcionais são indispensáveis para se estabelecer os objectivos do tratamento e prognóstico idealizado para, então, serem determinados os procedimentos hidrocinesioterapêuticos em escala progressiva. A primeira sessão do paciente na água visa complementar a avaliação convencional, a fim de observar sua adaptação e habilidades no meio líquido, densidade corporal e flutuabilidade, bem como o seu comportamento na piscina.

Os objectivos do tratamento hidroterapêutico para pacientes reumáticos são:

– Alívio da dor e do espasmo muscular;

– Manutenção ou restauração da força muscular em torno das articulações dolorosas;

– Redução da deformidade e aumento da amplitude de movimentação em todas as articulações afectadas;

– Manutenção da amplitude de movimentação e força muscular das articulações não afectadas;

– Restauração da confiança e reeducação da função.

As indicação da hidroterapia para pacientes reumáticos são:

– Auto nível de dor, desvios de marcha, mobilidade diminuída, contracturas musculares, fraqueza muscular, coordenação limitada, transferência de peso inadequada, diminuição de resistência muscular, flexibilidade diminuída e disfunções posturais.

Houve muita dificuldade de consultar estudos feitos com doentes com AR e a Reabilitação Aquática por serem demasiadamente escassos e ainda não existir informação precisa e global sobre os benefícios que esta poderia proporcionar a estes doentes.

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