Asma: perguntas e respostas – 2

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Luzimar Teixeira e Clóvis Sousa

1 O que é broncoespasmo induzido por exercício (BIE) ?

Algumas pesquisas relatam que os exercícios físicos são provocadores de BIE em 80 a 90% dos asmáticos. Porém, nem todas as atividades físicas geram este tipo de reação. Diferentes exercícios, em diferentes intensidades provocam diferentes magnitudes de crises.

Os exercícios podem ser classificados em mais asmagênicos (mais provocadores de crises), como a corrida, e menos asmagênicos como a natação, por exemplo. O exato mecanismo responsável pelo BIE é incerto, sendo que o resfriamento e ressecamento das vias aéreas na atividade física parecem ser fatores preponderantes. Chama-se a atenção para a importância da respiração nasal durante as atividades físicas.

O BIE é caracterizado por uma queda de 10 a 15% no fluxo expiratório máximo. Ocorre com a duração do exercício entre seis a oito minutos e intensidade de trabalho de aproximadamente dois terços do consumo máximo de oxigênio (freqüência cardíaca de 170 a 180/min para crianças). A resposta ao exercício aparece alguns minutos após cessado o esforço e se reverte após aproximadamente, 60 minutos. Na maioria dos indivíduos, o BIE consiste em uma única crise de rápido início e recuperação. Alguns podem desenvolver uma reação tardia (quatro a dez horas após o exercício).

2 – As alterações torácicas e posturais são causadas pela asma ?

A mecânica de funcionamento do tórax (mecânica respiratória) é importante e as alterações respiratórias, segundo sua origem, podem modificar essa mecânica e/ou funcionamento fisiológico do pulmão. Por sua vez, as alterações torácicas podem ser causadas pelas alterações nessa mecânica, dependendo da gravidade, podem significar uma diminuição nas possibilidade respiratórias.

Assim, problemas de ordem respiratória predispõe o organismo a doenças e deformidades. As alterações respiratórias podem refletir diretamente na forma do torax. Podem provocar deformidades em decorrência , por exemplo, da ausência de ar em determinadas áreas pulmonareas causada por obstrução das vias aéres , o que leva a retração das costelas. Devido a sua forma e elasticidade, necessárias para sua função, o torax é facilmente deformavel. Isto explica porque as deformidades torácicas são mais freqüentes. As doenças pulmonares obstrutivas provocam hiperinsuflação pulmonar, aguda nas crises, mas que pode se tornar crônica. A repetividade das crises com o aumento de volume residual vai dando ao tórax a característica do padrão respiratório assumido.

São várias as alterações torácicas e distintas as origens, sendo as mais comuns: hemitórax escoliótico, depressões submamilares, tórax em quilha, tórax em tonel, tórax infundibular.

As alterações do tronco também são as causas de alterações na mecânica respiratória. Essas alterações, segundo sua origem, podem modificar a mecânica respiratória e/ou funcionamento fisiológico do pulmão.

A ventilação pulmonar depende da elasticidade pulmonar e amplitude dos movimentos torácicos. O aumento do volume da caixa torácica se deve, em grande parte, ao movimento do diafragma que promove expansão do tórax em todos os sentidos. Essa expansibilidade é proporcional à amplitude do movimento de elevação das costelas e esta amplitude, por sua vez, depende da posição da coluna vertebral. A melhor expansão se obtém quando a costela atinge o mesmo plano da vértebra na qual está articulada, o que não acontece nas alterações posturais como escoliose e cifose. Assim, a mecânica de funcionamento do tórax é importante por depender em grande parte desse ato mecânico. Neste sentido, as atividades físicas devem ser orientadas para prevenir ou evitar o agravamento dos devios posturais já instalados.

3 Por que é importante a reeducação respiratória?

Um fator limitante para as atividadess físicas do asmático é a rigidez torácica. Neste sentido, são recomendados exercícios de desbloqueio torácico com o objetivo de aumentar a mobilidade costovertebral. O desbloqueio torácico é anterior ao trabalho de ginástica respiratória, devido a importância dos movimentos articulares durante a respiração.

Por sua vez, os exercícios respiratórios têm por objetivo melhorar as funções ventilatória e respiratória e evitar o aumento do volume residual.

São também apontados para promover suporte psicológico e diminuição da ansiedade. Para alcançar esta meta é necessária a conscientização dos movimentos musculares durante a inspiração e a expiração, ou seja, reeducação respiratória, com ênfase no trabalho abdomino-diafragmático.

4 Por que é importante a reeducação postural?

Considerando que as alterações posturais interferem e modificam a mecânica respiratória e que por outro lado as alterações respiratórias interferem e modificam a postura temos na asma um ciclo vicioso com sobreposição de efeitos danosos. Assim, torna-se evidente e necessário um trabalho com exercícios posturais. Este trabalho é baseado na tomada de consciência sobre o controle, manutenção e mudança das posturas corporais. Paralelamente, é preciso dar condições à musculatura para assumir atitudes provavelmente novas. Atingir estes objetivos depende de exercícios de percepção corporal (proprioceptivos), alongamentos, fortalecimento de grupos musculares responsáveis pela manutenção da postura (paravertebrais, abdominais e glúteos) e relaxamentos.

5 Quais os cuidados com a criança asmática em atividades motoras?

Os cuidados a serem observados são:

a) Inspiração nasal, para que o ar possa chegar filtrado e aquecido aos pulmões, evitando assim o resfriamento e o ressecamento das vias aéreas, que são eventos provocadores de crises. Portanto, é inadmissível uma criança asmática realizar atividades físicas com as vias aéreas superiores obstruídas por secreção. Nestes casos, a lavagem dos seios da face é recomendada.

b) Nos casos de asma moderada/grave, sempre que possível a medida do peak-flow deve ser feita no início da aula. Valores inferiores a 20% do previsto para a criança sugerem cuidado ou ainda a necessidade de administrar o broncodilatador.

c) O valor, importância e o objetivo de cada exercício desenvolvido em aula deve ser explicado aos alunos, e incentivando-os a realizá-los em casa pelo menos uma vez ao dia.

d) Observar as condições em que a criança chega na aula (última crise, presença de sintomas, leitura peak-flow).

e) Cuidados com ambiente e material utilizado.

f) Evitar ambientes com cheiro forte, muita poluição, muito frio.

g) Evitar colchões e objetos que retenham pó e cheiro de mofo.

Nas aulas de natação os cuidados são:

a) Evitar extremos de temperatura;

b) evitar correntes de ar. O choque térmico pode desencadear uma crise;

c) Evitar mergulho em apnéia (inspiração bloqueada) mesmo em pequenas profundidades.

Em situações de crise ou pós-crise a secreção brônquica existente pode formar rolhas de catarro. Essas rolhas impedem a saída do ar que se encontra comprimido nos alvéolos. Este ar, expande-se quando da volta à superfície e pode romper o alvéolo.

Quando uma criança apresenta congestão nasal e mergulha, ela pode ter dor de cabeça pela retenção de ar nas cavidades aéreas. Nestes casos, o exercício deve ser suspenso.

Já a submersão com expiração é indicada pois mantém vias aéreas abertas por mais tempo e é capaz de deslocar rolhas de catarro. É por isso que após exercícios respiratórios na água, a criança tem mais facilidade para expectorar.

6 Quais as recomendações para um programa de atividades motoras para crianças asmáticas?

a) Exercícios respiratório (com respiração diafragmática) intercalados nas atividades da aula;

b) Caminhadas explorando suas diversas variações, orientando-se a manutenção da respiração diafragmática durante o esforço;

c) Corridas, que devem ser curtas e sem provocar a perda do controle/ritmo respiratório;

d) Exercícios, chamados posturais, com ênfase no trabalho dorsal e abdominal;

e) Exercícios de quadrupedismo em extensão e alongamento, que são preventivos de alterações posturais/torácicas e promove o desbloqueio torácico.

Categories: Asma e Alergias

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