ASPECTOS POSTURAIS NA OBESIDADE

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Fernanda Cerveira e Luzimar Teixeira

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Alterações posturais na obesidade

A forma e estrutura dos ossos são determinadas geneticamente e por condições fisiológicas e patologicas.

A utilização dos segmentos corporais em condições normais é fundamental para a formação do osso, nesse sentido a estruturação postural depende do equilíbrio muscular e das ações que se fazem sobre os ossos.

As alterações na estrutura corporal não são exclusivas dos obesos, mas aparecem mais freqüentemente neles devido ao aumento das exigências mecânicas em determinadas regiões.

A inclinação anterior da pelve com o conseqüente deslocamento anterior do centro de gravidade e aumento da lordose lombar são as características mais evidentes e que são determinadas por um abdomem protuso. Isto foi verificado no estudo de RIDOLA et all (1994), onde valores patológicos do ângulo lombossacral e do ângulo lordótico foram encontrados em todos os sujeitos, que apresentavam sobrepeso. Foi verificado neste estudo que após a perda de peso, através da intervenção terapêutica, estes ângulos apresentaram valores menores.

O aumento na inclinação anterior da pelve determina maior rotação interna do quadril e fêmur provocando o valgismo dos joelhos. Esse desvio angular é acentuado pela circunferência exagerada das coxas, pois aumenta o afastamento dos membros inferiores, trazendo conseqüências para os joelhos, tornozelos e pés.

A criança obesa apresenta um padrão de marcha modificado em relação a uma criança de peso corporal normal. No estudo de HILLS & PARKER (1992), crianças obesas pré-púberes apresentaram um ciclo mais longo da marcha, com menor cadência e menor velocidade relativa, além de uma fase de apoio maior. Estas crianças também apresentam maior instabilidade na marcha em velocidades baixas. Em outro estudo, HILLS & PARKER (1991) haviam verificado uma tendência nas crianças obesas de acelerarem o momento de apoio total do pé no chão, no início da fase de contato e uma maior rotação externa do pé em todas as fases do ciclo da marcha. Estes dados mostram uma adaptação do aparelho locomotor à sobrecarga, que neste caso se dá pelo próprio peso corporal. A criança obesa realiza a marcha acentuando as alterações estruturais que ela já apresenta como o pé plano, o valgismo de joelhos e menor estabilidade corporal.

O valgismo de joelho é analisado no estudo de DAVIDS et all (1996) onde foi verificado que a característica dinâmica da marcha ocorre de forma a acomodar a coxa que apresenta maior volume em relação a crianças com peso normal. Esta alteração do padrão da marcha, resulta em maior sobrecarga do compartimento medial do joelho durante o ciclo da marcha, podendo levar ao aparecimento da tíbia vara, independentemente da pré-existência deste desvio.

Nas alterações posturais a pressão exercida pelo peso corporal gera sobrecargas locais e/ou globais que podem provocar o achatamento dos corpos vertebrais, acentuando por exemplo a cifose. Além da cifose, que muitas vezes está associada a uma maior dificuldade na respiração, estudos indicam que obesidade é um fator que está diretamente relacionado a apnéia obstrutiva do sono (obstructive sleep apnoea OSA). Verificou-se através do estudo de HAKALA et all (2000) que a perda de peso e uma posição corporal mais ereta durante o sono melhorou os mecanismos respiratórios diários e as trocas gasosas nos pacientes com OSA.

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