Conduta na DPOC estável – Farmacológico

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Clóvis Sousa

Componente 3: Conduta na DPOC estável – Farmacológico

O tratamento da DPOC estável deve ser orientado pelos seguintes princípios gerais:

Avaliar a gravidade da doença sob uma base individual, levando em consideração os sintomas, a limitação do fluxo aéreo, a frequência e a gravidade das exacerbações, as complicações, a insuficiência respiratória, as comorbidades e a condição geral de saúde.

A educação do paciente pode ajudar a melhorar as aptidões, a habilidade de lidar com a doença e a condição da saúde. Esse é o meio efetivo de alcançar a cessação do tabagismo, de iniciar discussões e entendimentos sobre orientações prévias e questões a respeito do final da vida, e de melhorar as respostas às exacerbações.

O tratamento farmacológico pode melhorar e prevenir os sintomas, reduzir a frequência e a gravidade das exacerbações, melhorar a condição da saúde e aumentar a tolerância aos exercícios.

Bronchodilatadores: Essas medicações são essenciais para o tratamento do sintoma na DPOC. Usadas “quando necessário” para aliviar sintomas intermitentes ou que se agravam e, em termos regulares, para prevenir ou reduzir os sintomas persistentes.

A escolha entre beta2 agonistas, anticolinérgicos, metilxantinas e uma terapia de combinação depende da existência dos medicamentos e da resposta individual de cada pessoa em termos de alívio dos sintomas e efeitos colaterais. O tratamento regular com broncodilatadores de curta-ação é mais barato, mas menos conveniente do que o tratamento com broncodilatadores de ação prolongada. O médico especialista poderá indicar medicação mais adequada.

A combinação de drogas com diferentes mecanismos e durações de ação pode aumentar o grau de broncodilatação para efeitos colaterais equivalentes ou de menor intensidade. A teofilina é efetiva na DPOC, mas devido à sua toxicidade potencial, os broncodilatadores inalados são preferidos quando disponíveis.

Corticóides: O tratamento regular com corticóides é somente apropriado para pessoas com:

Melhora sintomática e uma resposta espirométrica documentada aos corticóides inalados ou VEF1 < 50% do previsto e exacerbações repetidas que requerem tratamento com antibióticos ou corticóides orais. O tratamento prolongado com corticóides inalados pode aliviar os sintomas desse grupo de pacientes cuidadosamente selecionados, mas não modifica o declínio a longo prazo no VEF1. As relações dose resposta e a proteção a longo prazo dos corticóides inalados na DPOC não são conhecidas. O tratamento a longo prazo com corticóides orais não é recomendado.

Vacinas: Vacinas contra a gripe reduzem em 50% doenças graves e a morte em pacientes com DPOC. Aplicar uma vez (no outono) ou duas vezes (no outono e no inverno) a cada ano. Não há evidência para recomendação do uso generalizado de vacina pneumocócica para a DPOC.

Antibióticos: Não recomendados, exceto para tratamento de exacerbações infecciosas e outras infecções
bacterianas. Agentes mucolíticos (mucocinéticos, mocorreguladores): Os pacientes com expectoração viscosa podem se beneficiar dos mucolíticos, mas os benefícios globais são muito pequenos. O uso não é
recomendado.

Antitussígenos: Uso regular contra-indicado na DOPC estável.

Estimulantes respiratórios: Não recomendados para uso regular.

No próximo post será discutido sobre Conduta na DPOC estável em tratamento não-farmacológico, e discutiremos exercício físico.

Referência

Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease – COPD 2008; Disponível em: (http:www.goldcopd.com).

Categories: DPOC

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