CORREDORES E MORTE SÚBITA

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Por Prof. Dr. Newton Nunes

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Jogador de futebol caido no campo por morte súbita

Um dos primeiros relatos de morte súbita foi a do corredor de maratona Phidippides em 490 a C. Em 1707, Lancini descreveu numerosas mortes súbitas ocorridas em Roma em 1705. É a primeira comunicação clínico-patológica objetiva sobre esse assunto. Através dela pode-se reconhecer a íntima relação entre a doença cardíaca e a morte súbita.

Não há consenso sobre a definição de morte súbita cardíaca. Um elemento essencial é o imprevisto de sua ocorrência. Mesmo na presença de doença cardíaca grave, a morte é súbita quando não era prevista como iminente. A definição é restrita a uma estreita faixa de tempo, onde o intervalo de tempo não é superior a 24 horas a contar do evento agudo. A definição deve incluir três elementos essenciais: ser um processo natural, ser uma ocorrência inesperada, ter uma evolução rápida.

Os atletas são frequentemente associados aos padrões de saúde de nossa sociedade. Consequentemente, a ocorrência de qualquer evento adverso nesses indivíduos surte impacto perante o público e os médicos. Um evento como a morte súbita em uma certa competição ou treino poderia levar a uma repercussão tanto social quanto financeira, visto as enormes quantias envolvidas nos esportes de competição.

A morte súbita de causa cardíaca é a morte inesperada e natural resultante de distúrbio agudo da função cardíaca, irreversível, produzindo interrupção do fluxo sanguíneo sistêmico e perda da consciência seguida de morte. A morte súbita pode ocorrer em corredores de todas as idades por diversas causas.

A morte súbita pode ocorrer em indivíduos de todas as idades por diversas causas. Estimativas norte-americanas indicam a incidência de morte súbita ao redor de 1/1.000 habitantes por ano. Embora várias situações clínicas possam estar envolvidas no seu desencadeamento, as cardiopatias isquêmicas são a principal causa nos países industrializados.

A incidência global mundial de morte súbita é difícil de ser estimada devido á falta de documentação adequada e definições variadas. A incidência de morte súbita aumenta com a idade e é duas a três vezes maior em homens do que em mulheres. Há maior incidência de morte súbita no período da manhã, demonstrando asociação com uma variação circadiana.

As doenças infecciosas e as cardiovasculares representam as causas mais frequentes de morte súbita nos corredores e na população jovem saudável. A história de síncope, principalmente relacionada aos esforços, geralmente leva ao dignóstico de cardiopatia, em especial a cardiomiopatia hipertrófica, reconhecidamente a causa mais comum de morte súbita em corredores e em atletas em geral. Os sinais físicos podem ser discretos, mas o eletrocardiograma é anormal em aproximadamente 90 a 96% dos atletas.

Um cuidado simples e de baixo risco seria a realização do eletrocardiograma na triagem de crianças para a participação em atividades físicas em clubes ou escolas, uma vez que 60% das mortes nesta doença acontecem durante a realização de exercícios físicos.

Muitos são os métodos diagnósticos para investigação e estratificação de risco de morte súbita, sendo a história, o exame físico e o eletrocardiograma responsáveis por praticamente 50% das hipóteses diagnósticas corretas. Todo corredor com mais de 35 anos de idade ou que tenha apresentado algum evento durante o treinamento físico deve ser submetido á investigação de isquemia e problemas cardíacos. O teste ergométrico, a cintilografia miocárdica e, nos casos necessários, a cinecoronariografia devem ser indicados.

A prevenção é o único tratamento da morte súbita. Em muitos casos há sintomas premonitórios como a síncope, palpitações e dor torácica. A história familiar de morte súbita em jovens corredores e anormalidades clínicas e eltrocardiográficas impõe investigação rigorosa. Com isso, podemos concluir a importãncia destes exames prévios nos corredores, com o intuito de evitar a morte súbita nos treinos e competições.

Categories: Cardiovascular

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