Deficiência visual, desenvolvimento motor, aprendizagem motora e habilidades motoras

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Parte I


Educação Física Adaptada II

Desporto e Bem-Estar – 3ª Ano / 5º Semestre

Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria

Intercâmbio na Universidade de São Paulo – Brasil

29 Outubro de 2009

Docente: Professor Dr. Luzimar Teixeira

Trabalho realizado por: Margarida Castro Leal

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Pessoa Cega com cão guia

“Deficiência refere-se a qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica, podendo resultar numa limitação ou incapacidade no desempenho normal de uma determinada actividade que, dependendo da idade, sexo, factores sociais e culturais, pode se constituir em uma deficiência” (Masi, 2002).

“A deficiência visual pode ser definida como uma limitação na visão que, mesmo com correcção, afecta negativamente o desempenho de uma criança durante sua educação” (Teixeira, 2008, p. 390).

Existem diferentes causas da cegueira como sejam: as doenças infecciosas, acidentes, ferimentos, envenenamentos, tumores e doenças gerais e influências pré-natais e hereditariedade.

“A cegueira infantil está presente em países em desenvolvimento na proporção de 1,5/1.000, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o que no Brasil corresponde a cerca de 255 mil crianças. No entanto ainda de acordo com a OMS, 70% a 80% das crianças diagnosticadas como cegas possuem alguma visão residual. São os casos chamados de baixa visão ou subnormal.

Cerca de 500.000 crianças tornam-se cegas todos os anos no mundo e, nos países em desenvolvimento, muitas delas morrem até um ano após a manifestação da cegueira”(Teixeira, 2008, p.390).

“Pode-se classificar (quadro 1) a deficiência visual segundo as referências da International Blind Sports Federation (IBSA) e da U.S. Association for Blind Athletes:

1 – Classificação Esportiva de atletas com deficiência visual (IBSA)

B1

Totalmente cegos, aqueles que podem ter percepção de luz, mas não são capazes de reconhecer as formas das mãos a qualquer distância.

B2

Aqueles que percebem as formas das mãos, mas com acuidade visual não superior a 20/600 pés, ou aqueles com menos de 5º de campo visual.

B3

Aqueles com acuidade visual de 20/599 até 20/200 pés e/ou aqueles com 5º a 20º de campo de visão.

B4

Aqueles com acuidade visual entre 20/199 e 20/70 pés.

Para que se compreenda do que se está a falar é importante que se aborde os vários significados dos termos que serão utilizados neste trabalho.

Desenvolvimento motor é um processo que se desenrola ao longo da vida e compreende todas as mudanças ao nível motor (aquisição, estabilização e regressão das habilidades motoras). Resulta da interacção da hereditariedade com o envolvimento, ou seja, dum processo de maturação neuromuscular com as novas experiências motoras, tendo em conta as já existentes”. (Professor Coelho. Slides da aula de Desenvolvimento Motor.2007).

Existem factores influentes do desenvolvimento motor, os biológicos que envolvem os factores do crescimento e os envolventes como sejam nutrição, clima, estatuto sócio-esconómico, entre outros.

As fases do desenvolvimento motor são:

Movimentos reflexos (pré-natal até aos 12 meses) – são os primeiros movimentos que o ser humano realiza. São involuntários e constituem a base do desenvolvimento motor. Através deles, a criança começa a obter informações acerca do seu corpo e do meio envolvente próximo. São exemplos os reflexos palmar e plantar, o chupar e os primeiros passos.

Movimentos rudimentares (12 meses até aos 2 anos) – São os primeiros movimentos voluntários. Estão directamente relacionados com a maturação do sistema nervoso, sendo o seu desenvolvimento previsível. São exemplos o rastejar, o gatinhar, o sentar, o andar e o controlo da cabeça e pescoço.

Movimentos fundamentais (dos 2 aos 7 anos) – é a fase onde as crianças exploram as capacidades de movimento do seu corpo. A importância da maturação é gradualmente substituída pela qualidade do processo ensino-aprendizagem. São exemplos o correr, saltar, agarrar e lançar.

Movimentos especializados (a partir dos 7 anos) – são movimentos fundamentais refinados, combinados uns com os outros, específicos duma determinada tarefa. No período de transição movimentos fundamentais/movimentos especializados (7-10 anos), deve ser evitado qualquer tipo de especialização.

Podemos dividir os padrões de desenvolvimento em:

Padrão Inicial observam-se as primeiras intenções de realização da habilidade motora. O desempenho é caracterizado pelo pouco ou excessivo uso do corpo. Ritmo e coordenação pobres. Tipicamente, as crianças atingem este padrão por volta dos dois anos.

–          Dificuldade em manter a posição erecta

–          Perda de equilíbrio (imprevisível)

–          Movimento rígido e “indeciso” do membro inferior de acção

–          Passos pequenos

–          Contacto com o solo tipo “pé-chato”

–          Dedos dos pés “protegidos”

–          Larga base de suporte

–          Flexão do MI no contacto com o solo, seguido de rápida extensão do MI

–          Movimento dos MS  ajudando a manter o equilíbrio.

Padrão ElementarÉ um período de transição, no qual já se nota uma melhor fluidez dos movimentos. Os diferentes movimentos já revelam alguma inter-ligação, apesar de se notar ainda alguma descoordenação entre os grupos musculares que contribuem para execução da habilidade motora. Normalmente as crianças atingem este padrão ao 3/4 anos.

–          Gradual “suavidade” do movimento

–          Aumento no comprimento da passada

–          Contacto calcanhar – dedos

–          MS caídos ao lado com limitado movimento de balanço

–          Base de suporte entre as dimensões laterais do tronco

–          Aumento da acção pélvica

–          Aparente elevação vertical do corpo

Padrão Maturo Tem lugar uma boa coordenação entre os diferentes grupos musculares e consequentemente uma boa fluidez de movimentos, havendo também uma boa adaptação a diferentes condições de realização. É o desempenho óptimo da habilidade motora. Com excepção das habilidades manipulativas, atinge-se este padrão aos 5/6 anos.

–          Acção reflexa de balanço dos MS

–          Limitada base de suporte

–          Modo de andar “relaxado”

–          Pequena elevação vertical do corpo

–    Contacto “calcanhar-dedos” no solo definido.

Aprendizagem motora é o conjunto de processos (quadro 2) que implicam uma modificação estrutural, que se reflecte geralmente numa alteração do comportamento (adaptação crónica) como resultado da prática do individuo, de forma relativamente longa no tempo”. (Professor Coelho. Slides da aula de Desenvolvimento Motor.2007)

Como se processa:

Estímulo —– > Tratamento ——> Resposta

Fases da aprendizagem:

Execução tosca —– > Aperfeiçoamento —– > Aplicação / Combinação

Existem três fases da aprendizagem motora:

Cognitiva – Grande empenho no processo de conhecer para o desempenho da tarefa. As questões iniciais da aprendizagem duma tarefa relacionam-se essencialmente com a sua apresentação (identificar o objecto da tarefa, saber o que fazer e quando, o que não fazer). Existem ainda grandes erros nesta fase.

Associativa – Existem alguns erros para o desempenho da tarefa, é a fase de organização do movimento. Aumenta a capacidade de determinar e corrigir os erros. Verifica-se a ocorrência de aprendizagem, pela melhoria da performance de execução para execução. Nesta fase já existem menos erros.

Autónoma – Diminuição do empenho cognitivo. Fase em que o movimento após muita prática automatiza. Possibilidade de dirigir a atenção para outros aspectos relevantes para o sucesso das acções motoras. Maior estabilidade na resposta. Baixa frequência de erros.

“Habilidade motora é acção que se desenvolve a partir de repertórios inatos d padrões de movimento em interacção com as condições de envolvimento e expressam um processo de diferenciação que reparte grandes acções em componentes para posteriormente as utilizar em novas sequências”. (Professor Coelho. Slides da aula de Desenvolvimento Motor.2007).

Habilidades Posturais/Estabilidade: são a base para todas as habilidades locomotoras e manipulativas (figura 3), porque todos os movimentos envolvem o elemento de estabilidade. São habilidades que visam a manutenção e/ou recuperação do equilíbrio na relação com a gravidade. São exemplo o apoio uni-pedal e o balançar o corpo sem sair do sítio.

Habilidades de Locomoção: são as habilidades motoras nas quais o corpo é transportado numa direcção vertical ou horizontal de um sítio para o outro. São exemplo o andar, o correr e o salto horizontal.

Habilidades Manipulativas: são as habilidades motoras que compreendem a interacção dos segmentos corporais com os materiais. Estas podem ser manipulativas grossas, em caso de movimentos que envolvem a aplicação ou recepção de forças em objectos (lançar, apanhar, pontapear, etc.). Podem ser ainda manipulativas finas, em caso de movimentos de manipulação de objectos que impliquem grande controlo motor, precisão e perícia (dar um nó nos atacadores, escrever, cortar com a tesoura).

Categories: Deficiência Visual

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