Deficiência visual, desenvolvimento motor, aprendizagem motora e habilidades motoras

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Parte III


Educação Física Adaptada II

Desporto e Bem-Estar – 3ª Ano / 5º Semestre

Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria

Intercâmbio na Universidade de São Paulo – Brasil

29 Outubro de 2009


Docente: Professor Dr. Luzimar Teixeira

Trabalho realizado por: Margarida Castro Leal

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Pai e filho sob o por do sol

Desenvolvimento motor da criança cega até aos 2 anos:

Controle de cabeça:

“Na criança com visão, o desenvolvimento físico começa na cabeça e se estende até os pés, e parte do tronco em direcção às extremidades. A criança, portanto deve desenvolver o equilíbrio da cabeça e o controle do tronco antes de aprender a sentar (…). O bebé cego não conta com o estimulo visual para motivá-la a levantar a cabeça e a desenvolver o controle da mesma (…).

Embora a criança cega prefira deitar-se de costas, é essencial, para o fortalecimento do pescoço, que ela seja deitada sobre o estômago. Algumas maneiras para o conseguir:

– Pendurar brinquedos sonoros e com diferentes texturas nos lados do berço;

– Mudar regularmente posição do bebé no berço;

– Alimentar o bebé e mudar suas roupas alternando os lados;

– Encorajar o bebé a levantar a cabeça e a movê-la em volta enquanto o segura pelos ombros” (Community Based Program Boston Center for Bilnd Children,1996, p.3).

“Durante os primeiros anos de vida, ao ser superprotegida ou pouco estimulada pelos pais, a criança cega deixa de ter acesso uma imensa variedade de vivências motoras e sensoriais. Essa falta de oportunidades faz com que apresente, especialmente entre os quatro e oito anos, um atraso motor quando comparada àquela que enxerga, o que, em geral, somente será compensado na adolescência”. (Teixeira, 2008, p.402).

Aproximação:

“Permanência dos objectos é a consciência de que um objecto ou pessoa existe mesmo quando fora do campo visual, auditivo ou táctil. Nos bebés com visão, essa capacidade aparece em torno dos 3 ou 4 meses. Nos bebés cegos, tal faculdade sofre um grande atraso, e só se desenvolve através de um trabalho consciente de treinamento e estimulação. A percepção da permanência dos objectos (figura 4) é essencial para o desenvolvimento da coordenação ouvido-mão (tentar alcançar um objecto atraído por seu som), que se desenvolve na criança com visão em torno dos 8 a 9 meses. Na criança cega essa faculdade não se desenvolve até por volta dos 12 meses, ou mesmo mais tarde.

Um bebé cego precisa de muita estimulação táctil, especialmente em torno da 16ª semana, de maneira a estimular movimentos de extensão dos braços e mãos.

Por volta da 12ª a 16ª semana, a criança com visão acompanha com os olhos os objectos e começa a ter movimentos desordenados de extensão. (…). O bebé cego movimenta ses pés e pernas mais que seus braços e mãos; por um bom tempo ainda mantém a posição de recém-nascido (braços flexionados com as mãos à altura dos ombros). Suas mãos raramente são trazidas até a linha mediana do corpo, e ele geralmente não brinca com os seus dedos. Portanto, ele precisa de estimulação e reino para desenvolver consciência de seus braços e mãos e de seu uso.

Algumas maneiras de se conseguir isso:

– Fixe sinos em seus pulsos e tornozelos;

– Coloque brinquedos ao alcance do bebé dentro do berço (o tacto é o principal sentido a ser estimulado nessa idade, mas brinquedos sonoros também ajudam);

– Encoraje-o a unir as mãos na altura da linha mediana do corpo;

– Quando der a mamadeira coloque as mãos d bebé na mesma;

– A partir da 16ª semana a criança começa a sentar-se. Motive-a a sentar, e faça jogos manuais quando ela estiver sentada (ex: jogos que faça bater palminhas ritmadamente)”.(Community Based Program Boston Center for Bilnd Children,1996, p.4).

Engatinhar e arrastar-se:

“Uma criança cega geralmente não engatinhará ou se arrastará até que tenha desenvolvido a percepção da permanência dos objectos ou a coordenação ouvido-mão. (…).

Muitas vezes a criança cega pula o estágio do engatinhar/arrastar-se, porque, quando tiver desenvolvido a percepção da permanência dos objectos, pode também já ter desenvolvido a habilidade de ficar em pé e andar”. (Community Based Program Boston Center for Bilnd Children,1996, p.4).

Andar:

“Uma criança cega pode começar a andar por volta da mesma idade que a criança que vê mas normalmente demora mais a andar. Um cercado é muitas vezes bom para o bebé cego no inicio dessa fase, por dar a ele um espaço definido, permitir a exploração controlada do espaço, abrigar os brinquedos e permitir que ele se apoie para ficar de pé (…).

Quando criança começar a andar é mais conveniente manter os móveis, etc. no mesmo lugar até que ela conheça o ambiente (…).

A coordenação o ritmo de uma criança cega ao andar podem ser mais desordenados do que os de uma criança com visão. Se a criança não for encorajada a conduzir seu corpo de maneira adequada, pode ser que mantenha uma grande distância entre as pernas ao ficar erecta, desenvolverá má postura e uma forma de andar incorrecta. Um problema comum é criança que deixa cair a cabeça sobre o peito. A criança cega deve ser instada a mater cabaça erguida, perpendicular em relação ao chão” (Community Based Program Boston Center for Bilnd Children,1996, p.4).

Correr, pular e saltar:

“A maior parte das actividades motoras grossas são aprendidas através de estímulo visual e imitação. A criança cega precisa ser ensinada (…) ela deve ser encorajada a praticar esses movimentos de maneira independente. Isso é necessário para o desenvolvimento de um bom controle e coordenação muscular e corporal”. (Community Based Program Boston Center for Bilnd Children,1996, p.4).

Falar:

Aprender a falar normalmente envolve a imitação visual da pessoa que fala (…). A criança cega pode balbuciar por muito tempo devido ao prazer oral que essa actividade proporciona. Por vezes, a fala ecolática pode se desenvolver e persistir por períodos maiores do que em relação à criança com visão” (Community Based Program Boston Center for Bilnd Children,1996, p.5).

Comunicação:

A criança cega pode esquecer palavras mais facilmente. Muitas vezes palavras não têm sentido para ela, a menos que a criança tenha uma experiência directa com as mesmas. Portanto, é necessário fazer com que as palavras se tornem significativas para a criança cega. Descreva pessoas e coisas continuamente. Fale sobre o que você está fazendo (lavando o rosto, bebendo eu suco, etc).

Evite manter rádio e televisão constantemente ligados perto da criança cega, porque o estímulo auditivo sem significado tendo a ser ignorado (…). Permita que a criança faça escolhas verbalmente, que responda sim ou não, e que tenha oportunidades para o uso funcional do seu vocabulário”. (Community Based Program Boston Center for Bilnd Children,1996, p.5).

Categories: Deficiência Visual

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