Fibromialgia

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Milena Dutra

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Tender points demarcados ao londo do corpo de um indivíduo com fibromialgia

O que é fibromialgia ?

O termo fibromialgia refere-se a uma condição dolorosa generalizada e crônica. É considerada uma síndrome porque engloba uma série de manifestações clínicas como dor, fadiga, indisposição, distúrbios do sono . No passado, pessoas que apresentavam dor generalizada e uma série de queixas mal definidas não eram levadas muito a sério. Por vezes problemas emocionais eram considerados como fator determinante desse quadro ou então um diagnóstico nebuloso de “fibrosite” era estabelecido. Isso porque acreditava-se que houvesse o envolvimento de um processo inflamatório muscular, daí a terminação “ite”.

Atualmente sabe-se que a fibromialgia é uma forma de doença reumática  associada à da sensibilidade do indivíduo frente a um estímulo doloroso. O termo reumatismo pode ser justificado pelo fato de a fibromialgia envolver músculos, tendões e ligamentos. O que não quer dizer que acarrete deformidade física ou outros tipos de seqüela. No entanto a fibromialgia pode prejudicar a qualidade de vida e o desempenho profissional, motivos que plenamente justificam que o paciente seja levado a sério em suas queixas. Como não existem exames complementares que por si só confirmem o diagnóstico, a experiência clínica do profissional que avalia o paciente com fibromialgia é fundamental para o sucesso do tratamento.

A partir da década de 80 pesquisadores do mundo inteiro têm se interessado pela fibromialgia. Vários estudos foram publicados, inclusive critérios que auxiliam no diagnóstico dessa síndrome, diferenciando-a de outras condições que acarretem dor muscular ou óssea. Esses critérios valorizam a questão da dor generalizada por um período maior que três meses e a presença de pontos dolorosos padronizados.

Diferentes fatores, isolados ou combinados, podem favorecer as manifestações da fibromialgia, dentre eles doenças graves, traumas emocionais ou físicos e mudanças hormonais. Assim sendo, uma infecção, um episódio de gripe ou um acidente de carro, podem estimular o aparecimento dessa síndrome. Por outro lado, os sintomas de fibromialgia podem provocar alterações no humor, alterações psicológicas, insônia, cansaço, estado de fadiga dentre outros…

Com a diminuição da atividade física,  a condição de dor se agrava ainda mais.

Váios autores mostram os benefícios da atividade física para esta população. Exercícios promovem:

Diminuição na sensação de tensão muscular (Wigers et al, 1996)
Redução no número de “tender points” (Burckhardt,1994)
Redução na dor localizada nos “tender points”.(Burckhardt, 1994)
Diminuição da dor corporal geral (Valim, 2006)
Benefícios psicológicos – aumento da sensação de bem estar, diminuição no sentimento de vulnerabilidade e aumento da auto-eficácia, além da diminuição da ansiedade e da depressão.(Buckelew 1998)

Outras pesquisas têm também procurado o papel de certos hormônios ou produtos químicos orgânicos que possam influenciar na manifestação da dor, no sono e no humor. Muito se tem estudado sobre o envolvimento na fibromialgia de hormônios e de substâncias que participam da transmissão da dor. Essas pesquisas podem resultar em um melhor entendimento dessa síndrome e portanto proporcionar um tratamento mais efetivo e até mesmo a sua prevenção.

Diagnóstico

O diagnóstico dos pontos padronizados ou tender points é realizado com o paciente sentado sobre a mesa de exame, questionando-o sobre a sensação dolorosa. Após a pesquisa subjetiva e identificação da queixa princial, cada ponto, um a um, é apalpado bilateralmente em cada região anatômica, na junção miotendínea, no sentido crânio-caudal (WOLFE et al., 1990).

Recomenda-se o uso comparativo de pontos, ditos controles, como o leito ungueal do polegar, ponto médio na face dorsal do antebraço, fronte, terço médio do terceiro metatarso, que, supostamente, correspondem a locais menos dolorosos que os pontos padronizados.

O uso de dolorímetro ou algômetro, dispositivo que determina a intensidade de pressão por área (MC CARTHY, GATTER, STEELE, 1968), fornece dados mais objetivos, importantes em estudos controlados. Na rotina clínica, a pesquisa dos pontos dolorosos por meio de digitopressão é comparável à avaliação feita com o dolorímetro em termos da positividade dos pontos (RASMUSSEN, SMIDTH, HANSEN, 1990, SMYTHE et al., 1992; SMYTHE, BUSKILA, GLADMAN, 1993), no entanto não fornece dados quanto ao limiar de pressão a partir do qual um ponto pode ser considerado positivo.

Na fibromialgia o limiar doloroso médio dos pontos padronizados, assim como dos pontos controle é mais baixo que em outras doenças reumáticas (WOLFE et al., 1990; Buskila et al., 1993).

A presença de 11 dos 18 pontos padronizados tem valor para fins de classificação, entretanto, de acordo com SMYTHE, BUSKILA, GLADMAN, 1991, em casos individuais, pacientes com menos de 11 pontos dolorosos poderiam ser considerados fibromiálgicos desde que outros sintomas e sinais sugestivos estivessem presentes.

Outros achados do exame físico incluem o espasmo muscular localizado, referidos como nódulos ou trigger point, a sensibilidade cutânea ao pregueamento e dor referida após compressão local. A sensibilidade ao frio também pode estar presente e manifestar-se como “cutis marmorata” em especial nos membros inferiores (WOLFE et al., 1990).

Os exames laboratoriais e o estudo radiológico são normais e, mesmo quando alterados, não excluem o diagnóstico de fibromialgia, uma vez que esta pode ocorrer em associação a artropatias inflamatórias, a síndromes cervicais ou lombares (WOLFE et al., 1990).

Sinais e Sintomas

Os mais comuns e característicos sintomas da fibromialgia são dor, fadiga e distúrbio do sono.

A dor é o principal fator que leva o paciente a procurar cuidados médicos. As queixas dos pacientes em relação aos sintomas dolorosos são expressas com palavras do tipo: pontada, queimação, sensação de peso, entre outras.

O paciente apresenta dificuldade na localização precisa do processo doloroso. Alguns têm a impressão de que ela ocorre nos músculos, outros nas articulações, enquanto uma parte relata que a dor se localiza nos ossos ou “nervos”.

Uma grande parte destes pacientes se queixa de dor difusa, referindo-se à dor com expressões do tipo: “dói o corpo todo” ou “dói tudo”, quando interrogados sobre a sua localização.

Tem se demonstrado, por meio de diversos estudos, a diminuição da produtividade e da qualidade de vida na fibromialgia. Isso justifica o crescente interesse no estudo dessa entidade clínica.

A “cura” da fibromialgia

Recentemente, foi veiculado, em programa de alcance nacional, um tratamento baseado nos princípios da medicina ortomolecular para a “cura da fibromialgia”. O tratamento baseado em soros para “matar” os micro-organismos que causariam a fibromialgia, duraria três meses e custaria cinco mil reais. Associado a isso, um programa de musculação.

1) A medicina ortomolecular não é baseada em evidências científicas, e por esse motivo não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como especialidade médica.

2) Não existe nenhuma evidência científica que a fibromialgia é causada por micro-organismos. Isto é uma afirmação falsa.

3)A musculação pode ser útil na fibromialgia, mas não para a transformação de fibras musculares e sim por que toda a atividade física é importante no tratamento da fibromialgia.

4) Infelizmente não existe uma cura para a fibromialgia – a Medicina séria e científica não esconderia este fato do público, e sim trabalharia para ampliar o acesso a esse tratamento para todos os pacientes.

Temos  de melhorar a qualidade de vida desses indivíduos.

Muitos estudos estão engajados para a cura da fibromialgia, mas ainda necessitamos de muito mais!

O que fazer?

Que tipo de Exercício Aplicar?

Veja algumas considerações a respeito:

Nichols et al. (1994) Exercício aeróbico (caminhada)20´, 3 x/sem. Contínuo: 60-70% da FC max.8 sem.Sem benefícios
Meyer et al. (2000) Caminhada de alta e baixa intensidade3 x/sem. carga aumentada gradativamente24 sem.Baixa intensidade é benéfica
Ramsay et al. (2000) Exercício aeróbico supervisionadoe não-supervisionado60 min. 1x/semana12 sem.Ambos sem benefícios
Wigers et al. (1996) Exercício aeróbico e terapia de manejo do estresse45 min., 3 x/semana4 picos: 60-70% FC max.14 sem.Ambos benéficos; ex.aeróbico mais efetivo.

Meiworm et al. (2000)Exercício aeróbico (natação, bicicleta, caminhada e corrida)25 minutos, 2 vezes/semana,12 sem.Benéfico
Sabbag et al. (2000)Exercício aeróbico60 min., 3 x/sem. 60-70% da FC max., 24 sem.Benéfico
Martin et al. (1996)Programa de exercícios aeróbicos, alongamento e fortalecimento60 min., 3 vezes/semana 6 sem.,Benéfico
Jentoft et al. (2001)Exercício aquático e em solo (aeróbico, along. fortalecimento e relax)60 minutos, 2 vezes/semana,20 sem.Ambos benéficos
Mannerkorpi et al. (2000)Hidroterapia e educativo,24 sem.Benéfico.


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