Osteoporose e Exercício

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Dra. Natália C. Oliveira

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Osso normal x Osso com osteoporose

No processo de envelhecimento, a natural perda de força, flexibilidade eaptidão cardiovascular pode resultar na redução do nível de atividades físicas eesportivas. A presença de patologias associadas também contribui para que aspessoas tornem-se menos ativas. O sedentarismo vem sendo considerado umimportante fator de risco para doenças crônicas.

A associação de doenças crônicas como a osteoporose com oenvelhecimento do sistema músculo-esquelético contribui para gerar umaenorme carga funcional e econômica para a população.Pesquisas mostram que um diagnóstico preciso do risco de fraturasosteoporóticas deve incluir, além da densitometria óssea, informações sobrefatores de risco, dentre eles a prática regular de exercícios físicos.A posição atual do American College of Sports Medicine em relação aosprogramas de exercício para pessoas com osteoporose é de que:

– a atividade física com sustentação do peso é essencial para odesenvolvimento e a manutenção de ossos sadios;

– atividades centradas no aumento da força muscular também trazembenefícios, particularmente para os ossos que não têm a função desustentação do peso corporal;

– é possível aumentar a massa óssea com a atividade física, porém, oprincipal benefício consiste em evitar a perda óssea que naturalmenteocorre com o sedentarismo;

– um programa de atividade física não substitui o tratamento médico dadoença;- é sugerido que o programa contenha atividades para a melhora daforça, da flexibilidade e da coordenação, que indiretamente podereduzir a incidência de quedas e de fraturas osteoporóticas.

È consenso na literatura médica atual que o exercício desempenha umpapel importante no tratamento e na prevenção da osteoporose.

Há inúmerosestudos recentes que, baseados em evidências, recomendam como prevençãoe/ou tratamento da osteoporose a prática de atividades físicas com sustentaçãodo peso corporal. Uma intervenção com atividade física na infância pode representar umaestratégia de prevenção primária da osteoporose. Um estudo canadensemostrou que três sessões de exercício de alto impacto por semana por doisanos consecutivos no currículo escolar trouxe um aumento substancial damassa óssea em garotas púberes. Diversos autores reconhecem a importância de se aumentar o pico demassa óssea na adolescência para a prevenção da osteoporose.

O exercício, juntamente com fatores como nutrição, ingestão de cálcio e vitamina D, interfere positivamente na formação óssea na adolescência.Há fortes evidências de que o pico de massa óssea e sua subseqüentemanutenção sejam muito influenciados pela relação entre stress mecânico,composição corporal, nutrição e metabolismo ósseo.Pesquisadores norte-americanos investigaram relações familiares entrea densidade mineral óssea, ingestão de cálcio e exercício físico emadolescentes, suas mães e avós. Um dos principais resultados obtidos foi quea prática de exercícios, independente da ingestão de cálcio, foi um fortepreditor da densidade mineral óssea para as adolescentes e suas mães.

Os autores acreditam que tornar o exercício físico uma parte da rotina seja útilpara aumentar a saúde óssea de mulheres de todas as idades.Um estudo com mulheres mais velhas examinou a associação deatividades físicas no tempo de lazer e a mudança na densidade mineral ósseade pacientes pré e pós menopausa, concluindo que exercícios regulares comsuporte do peso corporal reduzem a perda óssea lombar em ambos os grupos,porém não foram encontradas evidências semelhantes em relação à massaóssea do fêmur.Alguns estudos com animais evidenciam benefícios do exercício àmassa óssea. Em um deles, ratos com osteopenia induzida por glicocorticóidesforam submetidos a um exercício de escalada e receberam suplementaçãoprotéica. Notou-se significante aumento da massa óssea e da força dosanimais. Os resultados sugerem que exercício resistido e suplementaçãoprotéica podem ser uma terapia preventiva para a osteoporose associada aoenvelhecimento.

Outro estudo investigou a resposta óssea a um estímulo mecânico(carga compressiva dinâmica) e hormonal (paratireóide). Efeitos sinergistasforam observados com a combinação de ambos os estímulos, aumentandosignificativamente a taxa de formação óssea.Exercícios resistidos e exercícios com suporte do peso corporal são osmais benéficos para prevenir e tratar a osteoporose, uma vez que contribuempara a preservação ou aumento da massa óssea. Além deste benefício, oexercício regular também traz o fortalecimento muscular e a melhora dacoordenação, que auxiliam na prevenção de quedas. Exemplos incluemmusculação, subir escadas, step, dança e outras atividades que exigem umtrabalho muscular contra a gravidade, sem adicionar um stress muito alto aosossos e articulações.

O Consenso do National Intitutes of Health concluiu que o exercícioregular, especialmente atividades de alto impacto, contribuem para odesenvolvimento de um alto pico de massa óssea e pode reduzir o risco defraturas em indivíduos mais velhos. A prevenção das fraturas deve ser a metaprimária do tratamento de pacientes com osteoporose. A mesma autoridadereconhece que diversos tratamentos reduzem o risco de fraturas, incluindo asintervenções que contribuem para o aumento da massa óssea e redução dorisco ou conseqüência das fraturas.

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