“Pílulas” que Substituem o Exercício Físico

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Carlos Roberto Bueno Júnior

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Colher cheia de píluas

Se fosse possível escolher entre fazer exercício físico ou tomar uma pílula e obter os mesmos benefícios, o que as pessoas prefeririam? Apesar de parecer assunto de ficção científica, tal questão pode ser plausível em pouco tempo, pois tal assunto tem sido pesquisado e discutido em importantes revistas científicas, como os textos citados abaixo – ainda não há textos em português sobre o tema.

A ideia dos pesquisadores foi utilizar drogas (AICAR e GW 1516) que mimetizam o exercício físico aeróbico ao aumentar a atividades de proteínas relacionadas ao metabolismo oxidativo (AMPK e PPAR delta). Os resultados são animadores. Eles viram em camundongos (por enquanto!) que tais drogas são capazes de gerar os mesmos efeitos do exercício, como aumentar o tempo e distância percorridos em um teste aeróbico máximo, aumentar o consumo máximo de oxigênio e reduzir a porcentagem de gordura corporal.

Se tais “pílulas” continuarem a ser tão efetivas, será que elas substituirão o “personal trainer” ou a academia? Para parte das pessoas a resposta certamente será sim. E os profissionais da atividade física nesta história? Deverão lutar contra tais “pílulas”? Terão seus empregos ameaçados? Apesar de ser educador físico, serei totalmente favorável a elas se apresentarem benefícios consideráveis à sociedade. Mesmo que você ou eu fôssemos contra a tais miméticos do exercício físico, a sociedade não irá deixar de utilizá-los se forem interessantes.

Por fim, em relação aos profissionais, os extremamente competentes (profissional extremamente competente = atualização constante com os novos conhecimentos/ler textos em inglês + alta capacidade de inovação + trabalhar baseado em artigos científicos) podem ficar tranquilos, pois sempre haverá espaço para eles. Uma dica a esses profissionais é fazerem com que a sociedade associe valores positivos à atividade física que não são característicos das “pílulas”, como a possibilidade de sentir prazer e de socialização durante a prática. Por outro lado, os “outros profissionais” (“outros profissionais” = pedem para seus alunos “correrem ou pedalarem” porque é “importante para a saúde” e os alunos não sentem prazer em tais atividades) têm grande chance de estarem fadados ao fracasso.

Se este texto tiver gerado uma série se reflexões no leitor ele terá comprido seu papel!

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Mulher realizando alongamento de posterires de coxa


Referências bibliográficas

Richter EA, Kiens B, Wojtaszewski JF. Can exercise mimetics substitute for exercise? Cell Metab. 2008 Aug;8(2):96-8.

Narkar VA, Downes M, Yu RT, Embler E, Wang YX, Banayo E, Mihaylova MM, Nelson MC, Zou Y, Juguilon H, Kang H, Shaw RJ, Evans RM. AMPK and PPARdelta agonists are exercise mimetics. Cell. 2008 Aug 8;134(3):405-15.

Hawley JA, Holloszy JO. Exercise: it’s the real thing! Nutr Rev. 2009 Mar;67(3):172-8.

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