PREVALÊNCIA E CAUSAS DA ALTERAÇÃO DO EQUILÍBRIO POSTURAL EM PACIENTES COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC) E SUA RELAÇÃO COM AS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA

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Por: Milena Dutra

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O projeto temático de pesquisa apresentada à Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP para Pós-Graduação em Pneumologia / Pós-Graduação em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Pós-Graduação em Endocrinologia clínica, apresenta como coordenadores e orientadores:

Prof. Dr. José Roberto Jardim

Prof. Dr. Fernando F. Ganança

Profa. Dra. Márcia Maiumi

Prof. Dr. Oliver Nascimento

Prof Dra Marise Lazaretti Castro

Prof Dra Maria Luiza Vilela Oliva

Alunos:

Cristiane Oliveira Pradela (Mestrado)

Elias F. Pôrto (Doutorado)

Carolina C. Miranda Rocco (Doutorado)

Laura Zillmer ( Mestrado)

Milena Carrijo  Dutra (Mestrado)

Keliane Galdino Silva (Mestrado)

Projetos:

Projeto número 1

Aluna: Cristiane Oliveira Pradela

Orientador: José R. Jardim

Programa de pós graduação: Medicina translacional

Matricula: Mestrado

Titulo: Prevalência da alteração do equilíbrio postural em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.

Projeto número 2

Aluno: Elias F. Pôrto

Orientador: José R. Jardim

Programa de pós graduação: Medicina Translacional

Matricula: Doutorado

Titulo: Fatores que podem interferir no equilíbrio postural em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica e suas relações com a AVD.

Projeto número 3

Aluno: Carolina C. Miranda Rocco

Orientador: José R. Jardim

Programa de pós graduação: Medicina Translacional

Matricula: Doutorado

Titulo: Equilíbrio postural e neuropatias periféricas em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.

Projeto número 4

Aluno: Laura Zillmer

Orientador: José R. Jardim

Programa de pós-graduação: Medicina Translacional

Matricula: Mestrado

Titulo: Estudo da especificidade e sensibilidade dos testes de avaliação do equilíbrio postural em pacientes com DPOC.

Projeto número 5

Aluno: Milena Carrijo Dutra

Orientadora: Marise Lazaretti Castro

Programa de pós-graduação: Endocrinologia Clínica

Matrícula: Mestrado

Titulo: Correlação entre os parâmetros de equilíbrio postural com a qualidade óssea e a prevalência de fraturas em pacientes com DPOC.

Projeto Número 6

Aluno: Keliane Galdino Silva

Orientadora: José Roberto Jardim

Programa de pós-graduação: Medicina Tranlacional

Matrícula: Mestrado

Tema: Avaliação do Efeito Anti-inflamatório sistêmico da glicina em pacientes com DPOC.

O conhecimento da prevalência e causas do desequilíbrio entre os pacientes com DPOC permitirá medidas preventivas instituídas precocemente, evitando que estes pacientes venham a ter quedas, fraturas e piora da qualidade de vida no futuro.

Resumo do projeto:

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma enfermidade respiratória prevenível e tratável, que se caracteriza pela presença de obstrução crônica do fluxo aéreo, não sendo totalmente reversível. A manutenção do equilíbrio na postura ereta é tarefa complexa e contínua na vida diária. O desequilíbrio é mais observado com o envelhecimento e poderia estar aumentado em pacientes com DPOC pela perda de massa muscular, desnutrição, diminuição de força muscular, osteoporose, hipoxemia e alteração na condução nervosa de membros inferiores, prejudicando a realização de atividades da vida diária e a qualidade de vida. Entretanto não há estudos conclusivos em nenhum destes fatores como causa de desequilíbrio corporal em pacientes com DPOC.

Objetivos:

Avaliar a prevalência do desequilíbrio postural na DPOC;

Avaliar se o desequilíbrio postural está relacionado com as dificuldades de realização das atividades da vida diária.

Avaliar se fatores como depressão, estado cognitivo reduzido, baixa e pior qualidade de vida estão relacionados com aumento do desequilíbrio postural no paciente com DPOC.

Avaliar se o desequilíbrio postural em indivíduos com DPOC tem como conseqüência quedas e menor atividade física.

Mensurar os marcadores inflamatórios sanguíneos para determinar a possível correlação com o desequilíbrio postural no paciente com DPOC

Avaliar o tempo de latência dos reflexos monossinápticos aquileu e patelar em todos os estádios da DPOC e correlacioná-los com equilíbrio, avaliado por meio de testes específicos. Identificar as possíveis causas desta alteração, tais como hipoxemia, perda de massa muscular e inflamação sistêmica.

Avaliar a especificidade e sensibilidade dos testes de avaliação do equilíbrio postural em pacientes com DPOC.

Avaliar possíveis alterações da marcha provocada pelo desequilíbrio postural em pacientes com DPOC.

Avaliar a existência de fragilidade óssea associada à DPOC e definir parâmetros relacionados.

Mensurar os marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo para determinar a possível correlação com fragilidade óssea nesta população.

Materiais e Métodos: Participarão deste estudo 200 pacientes que realizam acompanhamento no ambulatório de DPOC do Centro de Reabilitação Pulmonar da Disciplina de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) no Lar Escola São Francisco (LESF), e 100 indivíduos idosos sadios que farão parte o grupo controle. Os pacientes serão estadiados de acordo com o GOLD, realizarão diversos testes de avaliação do equilíbrio postural e da marcha no Laboratório de Posturografia e Nistagnografia na Disciplina de Otorrinolaringologia, Os testes de reflexos aquileu e patelar serão mensurados em laboratório próprio da Disciplina de Neurologia e responderão aos questionários de tontura, qualidade de vida, ansiedade e depressão, estado mental e cognição e o grau de dispnéia pela Escala Medical Research Council (MRC).Assim como, realizarão a avaliação da massa óssea através de exames de densitometria e ultrassonometria quantitativa de calcâneo. Os marcadores inflamatórios e a bioquímica serão realizados por meio  de amostra sanguínea.

Palavras chave: DPOC; Equilíbrio postural; Prevalência; Exercício, Reflexos monossinápticos, Sensibilidade, Especificidade, Atividade de vida diária.

ENTENDENDO MELHOR A RELAÇÃO ENTRE OSTEOPORODE E DPOC

Estima-se que 5,5 milhões de pessoas sejam acometidas pela DPOC no Brasil e esta enfermidade vem ocupando entre a 4ª e 7ª posição nas principais causas de morte em nosso país (JEZLER et al., 2007). A DPOC é um dos principais problemas de saúde e o número de pacientes com a doença continua crescendo. De acordo com o Estudo de Responsabilidade Global de Doenças, a DPOC será a quinta causa de inaptidão e a terceira causa de morte no mundo na primeira metade do século 21 (TÁLAMO et al., 2007).

Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, os dados de prevalência da DPOC na cidade de São Paulo demonstram que 15,8%dos indivíduos com idade igual ou superior a 40 anos apresentam a doença. Em 2003, a DPOC foi a 3ª causa de internação hospitalar no Sistema Público de Saúde (SUS) (SBPT, 2004).

Apesar do foco principal do tratamento da DPOC ser a função pulmonar, com a progressão da doença e a debilidade do paciente, outras complicações podem surgir. Embora a presença de uma fratura vertebral aguda possa descompensar a função pulmonar de alguém com DPOC, apenas recentemente a presença de uma maior fragilidade óssea vem recebendo a atenção de pesquisadores que lidam com esta síndrome. Ainda são escassos os trabalhos na literatura, mas nas séries estudadas, osteoporose densitométrica pode acometer de 36 a 60 % dos indivíduos com DPOC (DAM, et.al., 2010), e de 9 a 69% em pacientes com classificação GOLD II a IV, de moderada a alta gravidade (GRAAT-VERBOOM et.al., 2009).  Além disso, a prevalência de fraturas sintomáticas da coluna torácica foi descrita por GRAAT-VERBOOM et. al., (2010) apud NUTI, (2008), em 42% de pacientes em um grupo de 2.981 indivíduos com DPOC. O mesmo não acontece com as fraturas de femur proximal, sua estimativa para indivíduos com DPOC não é descrita na literatura, porém, sua prevalência na população geral é elevada acima dos 70 anos de idade com aumento exponencial dos casos (42,4%), no meio da oitava década de vida (RAMALHO et. al., 2001). FORTES, et. al. (2008), avaliaram a morbimortalidade decorrente deste tipo de fratura em 56 pacientes. Em seis meses o número de óbitos foi de 23,2%, taxa muito superior à de mortalidade anual encontrada para esta faixa etária, que foi calculada em 3,1% para as mulheres e 4,1% para os homens.

Conseqüentemente, o reconhecimento precoce da redução da massa óssea nesta população de DPOC seria útil para instituição de medidas preventivas e terapêuticas que minimizassem a probabilidade de quedas e fraturas, que podem resultar em piora da função pulmonar, maior limitação ao exercício e aumento da mortalidade (SIN et al., 2003).

De fato, o grau de limitação do fluxo aéreo, juntamente com medidas da composição corporal e o uso de corticosteróides têm sido identificados como possíveis correlações clínicas da osteoporose em DPOC (GRAAT-VERBOOM et.al., 2009). Independente da gravidade da obstrução bronquica, a presença do baixo peso corporal e perda de peso correlacionam com o aumento da morbidade, corroborando para um prognóstico negativo da doença (LERARIO et al., 2006 apud ENGELEN  et al. 1994). Outras hipóteses para a fisiopatologia desta perda óssea e do risco de fraturas é o desequilíbrio postural. Idosos tem maior propensão a perda do equilíbrio e esta disfunção é decorrente de alterações dos sistemas somato-sensorial, visual, vestibular e centros de integração e processamento das informações relacionadas ao equilíbrio e ao sistema efetores neuromusculoesquelético (KONRAD 1999). ROCCO et al (2009), observaram maior tempo de latência nos reflexos dos membros inferiores de pacientes com DPOC, comentando que esta alteração possa contribuir para o desequilíbrio dos mesmos. Portanto, um número grande de possíveis fatores ainda não conclusivos podem contribuir para a alteração do equilíbrio.

Da necessidade em contribuir para a minimização desta lacuna e delinear parâmetros profiláticos para o risco de quedas e fraturas, surgiu à intenção de investigar a prevalência e causas da osteoporose secundária a DPOC. Desta forma, seria executada uma avaliação mais concreta e menos subjetiva por parte do examinador, buscando estabelecer um padrão literário sobre o assunto, permitir assim que esta ferramenta seja difundida para uso em outras situações, buscando diminuir o sofrimento do paciente.

Milena Carrijo Dutra – aluna de pós graduação em endocrinologia clínica UNIFESP

Categories: Qualidade de Vida

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